A nova lei proíbe cigarro ou derivados de tabaco em ambientes de uso coletivo, públicos ou privado, total ou parcialmente fechados em qualquer um dos lados por parede ou divisória, em todo o Estado. Entre os locais de proibição estão áreas internas de bares e restaurantes, casas noturnas, ambientes de trabalho, táxis e áreas comuns fechadas de condomínios.
Em agosto começa a palhaçada.
Perseguição nazista!
O cigarro foi escolhido como o grande vilão do momento, tudo é culpa dele.
- Cof, cof.
- Essa tosse não foi a chuva que você pegou. Essa tosse é o cigarro.- Não tá subindo, doutor.
- Você fuma? A impotência nem é o stress no trabalho, é o cigarro mesmo!- É câncer.
- Sempre disse que você devia parar de fumar. Não é genético e nem a sua alimentação desregrada, é o cigarro com certeza!- A casa pegou fogo.
- Alguém aqui é fumante? Por que fumantes sempre deixam cigarros acesos por aí, são pessoas perigosas...
- Ele pediu o divórcio.
- Fuuuummaaaaa! Não, claro que ele não tem outra. Agora você fica fumando né? Quer o quê?
- Tirei nota baixa.
- Também, só quer saber de fumar no corredor!
E por aí vai.
O meu maço de cigarros favoritos, marlboro light, está custando quatro reais e cinquenta centavos. Um aumento absurdo! As ilustrações que vêm na caixa são exageradas e abusivas. Acho uma falta de respeito ao meu livre direito de fumar, ter que comprar um maço de cigarros com o desenho de um rato morto ou de um cara sem a perna. Eu peço sempre o da impotência sexual, que óbvio não me afeta ou o da menininha com asma, porque eu não tô nem aí pra ela mesmo, me desculpem.
Me pergunto porque na garrafa da cerveja não tem ilustrações de homens e mulheres com fratura exposta em acidentes de trânsito ou crianças com o rosto deformado de tanto apanhar de um pai alcóolatra.
Me pergunto também porque na embalagem da carne que compramos no supermercado não vem fotos de animais torturados, mutilados, cegos, tratados como objetos. Nesta embalagem podia ter a foto de um porco sendo esfaqueado vivo, gritando e explodindo em sangue. Ou podia ter o retrato de uma criança de rua faminta, que não tem o que comer porque todo o cereal produzido na sua cidade foi usado para alimentar um boi que vai ser morto, torturado e depois vendido por um preço que ela não pode pagar.
E por aí vai.
Deixando a tragédia e a perseguição de lado, vamos para a visão otimista.
Entrando em vigor esta lei idiota, o que vai acontecer? As pessoas vão parar de fumar ou vão criar situações favoráveis e inteligentes para continuarem com o seu vício adorado? Claro que é a segunda opção!
O que me faz feliz em São Paulo hoje, além do Frapuccino do Starbucks, da Livraria Cultura e da paisagem de concreto é a enorme quantidade de fumantes. Ao menos aqui, na minha cidade (olha, já chamo de minha!!!), os lugares de balada já estão providenciando uma mudança em sua estrutura, só para abrigar os fumantes. Existem também as charutarias, que eu nunca fui porque acho que tem cara de lugar de velho rico. Mas acredito que as charutarias vão ser cada vez mais frequentadas por um público jovem e fumante. E o que vai acontecer? Esses lugares vão se transformar em verdadeiros bares de fumantes, onde o não fumante é que atrapalha e está no lugar errado.
Já imagino uma decoração vintage com fotos das grandes estrelas do cinema americano com sua cigarrilha na mão. No som, jazz, soul e muito rock 'n roll. Vou chegar, acender meu marlboro light, pedir um drink e ninguém vai me olhar como se eu fosse uma bruxa que deve ser jogada na fogueira.
Criados estes lugares aconchegantes, livres e estilosos vocês já sabem qual vai ser a tendência, né? Como nós fumantes somos mais charmosos e irreverentes, os não fumantes de bom gosto vão começar a frequentar os bares de fumantes. Pronto. Além de resolver o problema da lei estúpida, fumar volta a ser cool.
Paro de escrever por aqui para beber um capuccino e acender mais um marlboro light, saboreando tudo o que há de delicioso e politicamente incorreto aqui em casa. Pra finalizar então, pau no cu do Hitler, do Stalin, dos senhores de engenho, dos sonegadores de impostos, dos caras de Brasília, dos milionários que vivem cercados de muros e grades cultuando o medo, pau no cu da Globo, pau no cu da Folha de São Paulo, pau no cu da vizinha que reclama do som alto, do chefe que não faz sexo, pau no cu de quem não gosta de gatos e, claro, pau no cu dos não fumantes ativistas.
Ufa.
Aretha e Almodóvar brincam com a fumaça que se espalha tomando formas divertidas no ar.
*****